A maioria das mulheres que se envolvem com a criminalidade cometem crimes menos violentos em comparação com os cometidos pelos homens. Se elas praticam outros – como homicídio, por exemplo – causam maior estranhamento social em razão do seu gênero. Para compreender essa e outras questões, a autora analisa discursos de presidiárias, através de entrevistas realizadas com elas in loco. O presídio feminino em que foi realizada a pesquisa é o Santa Luzia, localizado em Maceió, Alagoas. Para tanto, adota como fundamentação teórica a Análise do Discurso pecheutiana, pela qual propõe analisar como esses sujeitos – as presidiárias – são também afetados pelo androcentrismo, verificando as marcas de discriminação de gênero em seus dizeres. Para compreender o funcionamento do patriarcalismo nesse segmento, é considerada a questão da luta de classes, o que implica identificar, além das discriminações de gênero e classe social, a de raça nos discursos das mulheres privadas de liberdade. Além disso, a questão do crescimento do narcotráfico, aliado à crescente participação feminina no espaço público também é abordada, visto que esses fatores têm tido significativa influência no aumento do número de mulheres na prática criminosa. Por fim, a autora aborda a reincidência criminal entre as mulheres, cujos discursos indicam que o retorno à prática criminosa acontece devido à experiência do acesso ao vultoso rendimento do crime, principalmente, com o tráfico de drogas. Assim, a sedução do mercado consumidor e o não cumprimento do papel ressocializador do Estado contribuem de maneira peremptória para o retorno da mulher, que já cumpriu pena, à criminalidade.

A mulher por trás das grades

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  • Lisiane Alcaria de Oliveira

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